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Santana defende Rio contra o “chico-espertismo” dos que o tentam “condicionar”

Um discurso longo, já bem depois da hora, assente num princípio que Pedro Santana Lopes repetiu à exaustão: os sociais-democratas devem ter “sentido de responsabilidade” e abandonar o “clima de guerra”. O candidato derrotado na corrida interna pediu “união e convergência” em torno de Rio — e desafiou os outros a esquecerem o “chico-espertismo”.

“Não gostei de ver tentarem condicionar-te mal foste eleito e mesmo antes de tomares posse aqui neste congresso. Tu ganhaste, tens todo o direito a executar esta estratégia”, defendeu Pedro Santana Lopes. Para o ex-presidente da Câmara de Lisboa, o facto de alguns terem criado um “clima de guerra” já depois das eleições internas, “tocando tambores” nas vésperas da reunião magna do partido, foi “absolutamente irresponsável”.

Com sala cheio mesmo depois da meia-noite, Santana Lopes aproveitou para criticar os que só vieram a jogo depois das eleições, dizendo não gostar do “chico-espertismo das manobras que tentaram condicionar um líder eleito”. Que manobras? As entrevistas em que alguns sugerem que, daqui a dois anos, o líder será outro ou as “cartas” enviadas a tentar “condicionar” o novo líder. Sem nunca concretizar os alvos a que se dirigia, havia dois nomes na cabeça de todos: Miguel Relvas e Miguel Pinto Luz.

“Não podemos dizer da boca para fora e dizermos que queremos ganhar à frente de esquerda, mas depois cá dentro fazer o contrário. Unamo-nos”, apelou. “O importante é o nosso PPD/PSD. Estamos preocupados com ele? Estamos. Vivemos um período difícil, ficámos sem um líder, temos um novo”, notou Santana. Tudo para dizer que a palavra de ordem tem de ser uma: união.

O ex-primeiro-ministro não resistiu a cometer uma inconfidência. “Perguntei-te [a Rui Rio] se querias ganhar e bem as próximas eleições e tu disseste ‘sim, claro’”. Perante isto, Santana quis dar o sinal: está sempre ao lado de Rio para uma tarefa que “não é fácil”, assumiu.

A eventual aproximação de Rio ao PS, tema central da discussão interna entre os dois, não foi esquecida. “Estamos unidos no princípio que não há Bloco Central. Mas se alguma vez se pusesse a questão, todos juntos procuraríamos chegar à melhor solução”, sugeriu Santana Lopes.

A terminar, Santana Lopes deu outro sinal de lealdade a Rui Rio, dizendo esperar que o novo líder cumpra “vários mandatos” à frente do PSD. E uma última referência a Passos, o último elogio ao ex-líder: “Oh Rui, agora, vão começar a descobrir-te os defeitos, agora que Passos Coelho saiu são só qualidades”.

Entretanto, Miguel Pinto Luz já respondeu a Pedro Santana Lopes. Em declarações ao Observador, o ex-líder do PSD/Lisboa refutou as críticas e falou em incoerência. “Já todos sabemos que quando Santana Lopes discorda ou pede clarificações é liberdade e coragem. Quando são outros, já é divisionismo e tentativa de condicionamento”, afirmou.

Santana defende Rio contra o “chico-espertismo” dos que o tentam “condicionar”

“Onde é que elas estão?” Os líderes e as mulheres: Passos – 4, Rio – 2

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Atualidade

“Formem exércitos de mães e vão para o terreno”, desafiou Filipa Roseta, vereadora em Cascais e filha de Pedro e Helena Roseta. Rui Rio reduziu para metade o número de mulheres na Comissão Permanente

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“Onde é que elas estão?” Os líderes e as mulheres: Passos – 4, Rio – 2

Pinto Luz responde a Santana: “Todos sabemos a velocidade com que apoia e deixa de apoiar líderes”

Não demorou muito a resposta de Miguel Pinto Luz a Pedro Santana Lopes. Confrontado com as críticas implícitas de Pedro Santana Lopes — que falou no “chico-espertismo” dos que tentam “condicionar” o líder recém-eleito –, o vice-presidente da Câmara de Cascais foi cáustico: “Todos sabemos a velocidade com que Santana Lopes apoia e deixa de apoiar líderes. Não é nada de novo”.

Já todos sabemos que quando Santana Lopes discorda ou pede clarificações é liberdade e coragem. Quando são outros, já é divisionismo e tentativa de condicionamento“, desvalorizou Pinto Luz, em declarações ao Observador.

Na intervenção que fez, e sem nunca mencionar Miguel Pinto Luz, Pedro Santana Lopes lembrou aqueles que escrevem “cartas” antes do congresso e depois são menos assertivos do que prometiam. Perante estas críticas, o ex-presidente da distrital do PSD/Lisboa reconheceu que o “tom” da sua intervenção foi diferente, mas insistiu que o conteúdo foi precisamente o mesmo que o da carta. E voltou a lançar-se a Santana Lopes. “Como lhe disse: quando Santana Lopes discorda é coragem; quando são outros já é divisionismo“.

A determinada altura do discurso, Santana Lopes chegou mesmo a sugerir que faltou coragem a Miguel Pinto Luz para criticar Rio em pleno Congresso. Confrontado com as efetivas diferenças entre o tom da carta aberta que enviou ao líder e o discurso que fez este sábado, o homem de confiança de Carlos Carreiras garantiu que não lhe faltou coragem e defendeu-se com as condicionantes de falar a partir do púlpito. “Estamos em congresso, há um limite de tempo e é um formato diferente. Numa carta podemos explanar de outra forma todas as temáticas“, explicou-se.

O ex-líder da distrital do PSD/Lisboa desafiou publicamente Rui Rio com uma carta aberta em que traçava uma série de linhas vermelhas para o novo líder do partido. A iniciativa caiu mal entre os apoiantes de Rio, que acusaram Miguel Pinto Luz de procurar protagonismo artificial depois de ter fugido das eleições internas. Nas semanas que antecederam a reunião magna do PSD, Pinto Luz chegou mesmo a acusar Rui Rio de estar a tentar “fazer do PSD um novo Bloco e um novo PCP”. A intervenção que fez no 37º Congresso do PSD, no entanto, ficou muito aquém da expectativa gerada.

Sem nunca concretizar a sua disponibilidade para avançar com uma futura candidatura à liderança do partido, Miguel Pinto Luz preferiu não falar abertamente de um cenário de derrota eleitoral — e consequente demissão de Rui Rio — em 2019. Mas não deixou de sugerir o que faria se estivesse no lugar de Rio. “Não é isso que hoje se coloca. Mas a nossa obrigação é ganhar. Já perdi eleições e tive que apresentar a demissão. Mas não é isso que me move. Desejo as maiores felicidades a Rui Rio”, rematou Miguel Pinto Luz.

Pinto Luz responde a Santana: “Todos sabemos a velocidade com que apoia e deixa de apoiar líderes”

“Agora o PSD tem Santana Lopes, paz e amor”

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Comentários

O discurso de Pedro Santana Lopes no congresso e a acusação de “traição” feita por Paula Teixeira da Cruz a Rui Rio. O comentário de Miguel Pinheiro e Vítor Matos no fim do 2º. do congresso do PSD.

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“Agora o PSD tem Santana Lopes, paz e amor”

Neonazis desfilam na Bulgária para homenagear tenente-general aliado de Hitler

Centenas de neonazis búlgaros desfilaram este sábado em Sófia para marcar o aniversário de Hristo Lukov, antigo tenente-general e ministro de Guerra da Bulgária. A manifestação decorreu nas ruas da capital búlgara, tendo começado numa igreja ortodoxa e terminado em frente à casa de Hristo Lukov.

Esta manifestação acontece todos os anos desde 2003. Porém, tem merecido especial atenção este ano uma vez que a Bulgária é, pela primeira vez, o país responsável pela presidência rotativa do Conselho da União Europeia. A manifestação chegou a ser proibida pela câmara de Sófia, mas uma ordem judicial reverteu essa decisão autárquica.

Não há poder nenhum no mundo que nos possa proibir de honrar um herói, um soldado e um estadista, como o general Lukov foi, sem dúvida”, disse aos jornalistas no local Zvezdomir Andonov, um dos organizadores do desfile.

A manifestação também contou com a participação de grupos de extrema-direita da Alemanha, Estónia, Hungria e Suécia.

Antes do desfile neonazi, houve uma contra-manifestação para protestar contra a homenagem a Hristo Lukov. “Estamos aqui para demonstrar que há pessoas contra qualquer tipo de discriminação, violência, regimes totalitários e que estão a favor da liberdade do povo e desejam que as pessoas vivam num mundo livre e justo”, disse Galina Lacheva, uma das organizadoras da contra-manifestação, citada pelo Sofia Globe.

Hristo Lukov notabilizou-se como líder da União Legiões Nacionais Búlgaras e foi morto por partisans comunistas em 1943. Até então, foi o maior defensor de políticas anti-semitas na Bulgária, que entre 1941 e 1944 se aliou à Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo assim parte do Eixo.

Neonazis desfilam na Bulgária para homenagear tenente-general aliado de Hitler

O impasse brasileiro

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o seu líder, Lula da Silva, já beneficiaram de mais apoio do que aquele que tiveram no passado mas continuam a ter boa imprensa fora do Brasil, em Portugal concretamente. Há dias atrás, o Professor Boaventura Sousa Santos, assinando como Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, dirigiu aos «democratas brasileiros» uma mensagem acerca da eventual candidatura de Lula às eleições presidenciais do corrente ano.

De permeio, como se ainda estivéssemos no tempo da União Soviética, acusou o «imperialismo norte-americano» de manobras contra Lula. Não assinala, porém, a «diplomacia paralela» conduzida durante a governação PT pelo recém-falecido Professor Marco Aurélio Garcia e continuada por Lula depois de o PT ter perdido o poder. Dias depois, o Professor Arriscado Nunes, também de CES de Coimbra, acusou os juízes brasileiros de fazerem «pós-justiça» – seja lá o que isso signifique – no sentido de impedirem Lula de se candidatar de novo a Presidente…

Esta incessante mobilização dentro e fora do Brasil omite, porém, três coisas fundamentais. A primeira é que, segundo tudo quanto é possível saber acerca de Lula e do PT, inclusive nas suas relações com Sócrates e o seu governo, nenhum deles escapa à legítima suspeita que levou tantos dirigentes «pêtistas» (e dos outros partidos!) à cadeia por corrupção financeira e político-partidária, desde o chamado «Mensalão» até ao «Lava-Jacto»! A verdade é que é difícil acreditar que Lula, com a sua longa experiência, ignorasse o que se passava no Brasil e nas próprias fileiras do PT

Seja como fôr, o segundo facto omitido pela esmagadora maioria dos apoiantes da recandidatura de Lula é que grande parte dos políticos dos múltiplos partidos que têm vindo a ser incriminados por corrupção em sucessivos processos participaram do princípio ao fim na governação «pêtista» com Lula e depois com Dilma. O mais notório de todos eles é, obviamente, o mais votado partido brasileiro, o PMDB, cujo líder era nem mais nem menos do que o antigo vice de Dilma e actual presidente da República, Michel Temer!

O chamado «presidencialismo de coalizão» em que se continua a viver no Brasil e onde o PT, embora conquistando a presidência em 2002, esteve sempre mas sim abaixo de 20% do voto popular, é a primeira receita para a corrupção e para a ausência de uma política nacional coerente. Assim viveram felizes os «coligados» dos últimos 15 anos enquanto houve recursos para pagar as clientelas e, sobretudo, os inimigos que actualmente se estão a revelar! Todos os eleitores minimamente informados sabem que, apesar das incompletas reformas prometidas para mais tarde, os resultados partidários para a Câmara de Deputados e para o Senado pouco ou nada terão que ver com os resultados da eleição presidencial prevista para Outubro de 2018!

Pior do que isso, o presidente que vier a ser eleito e o partido dele não terão votos suficientes para passar a legislação relevante como também não disporão dos recursos que Lula e Dilma chegaram a ter para comprar as fidelidades de apoiantes e adversários! Ora, o que significa isso? Muito simplesmente que, mesmo no caso de o judiciário deixar Lula participar na eleição presidencial e na improbabilidade de ele ganhar a presidência, tudo o resto ficaria na mesma, independentemente do que pensem ou desejem a «direita» e a «esquerda»…

Com uma diferença decisiva: nessas circunstâncias, seriam muito poucos os partidos disponíveis para garantir a continuação do «presidencialismo de coalizão» tal como foi praticado pelos presidentes do PT. Com sorte, sendo eleito, Lula contaria apenas com os pequenos partidos à sua «esquerda», os quais não terão votos suficientes para aprovar a legislação relevante. Seria pois, a muito curto-prazo, o impasse do sistema político, administrativo e financeiro do Estado federal e dos próprios governos estaduais!

No limite do que se lê e ouve dizer, seria melhor que Lula se abstivesse de lutar pela comparência eleitoral, deixasse o PT reconstituir-se depois de ter perdido o poder, captasse o apoio de pequenos partidos «satélites» como o PCdoB ou o PSOL, constituindo uma plataforma oposicionista coerente a um presidente politicamente reformista e economicamente liberal… Só que ainda não se está a ver quem!

As apostas de fora do xadrez habitual são obviamente tentadoras, como o televisivo Luciano Huck, que se diz patrocinado por Fernando Henrique Cardoso, mas demasiado arriscadas para a dimensão do problema. Em contrapartida, candidatos eternos como Ciro Gomes, que já fez parte de inúmeras coalizões, ficam abaixo do risco mínimo… O Brasil está muito longe de ter saído do impasse e tanto Lula como o velho PT, em cuja «diferença» se quis acreditar, só acrescentam dificuldades à busca de uma solução viável e positiva.

O impasse brasileiro

O sexo e a cidade

Nas últimas semanas o sexo dos recasados tem andado efervescente na comunicação social. Fico com a ideia de que o assunto não tem sido tratado com seriedade, leitura, reflexão e a profundidade que merecia.

O Sr. Cardeal-Patriarca emitiu um texto, dentro de um contexto mais alargado, o qual, na verdade, não é original nem diz nada de novo. O bispo da diocese de Lisboa procurou dar resposta ao que a diocese espera do seu Pastor. Na fidelidade ao magistério da Igreja, e no desejo de conciliar as diversas sensibilidades sobre este tema, abre portas, apela à reflexão, ao discernimento e ao acompanhamento. Já assim tinha feito a diocese de Buenos Aires. Assim fizeram também a diocese de Braga e outras dioceses portuguesas.

Quando eu era estudante, em Roma, perguntei a um eminente professor se partilhava a opinião de que a Igreja hipervaloriza a questão do sexo. Tive como resposta mais ou menos o seguinte: o sexo, dizia o professor, para bem ou para mal, tem uma força vital na vida das pessoas. A Igreja está consciente disso. Todos devemos estar conscientes disso, a começar pelos educadores, para nos podermos ajudar uns aos outros a educar a dimensão afetivo sexual de um modo integrado, sadio e responsável.

Sou sacerdote desde há catorze anos. Nunca procurei nenhuma pessoa, nem casais (independentemente de estarem casados pelo sacramento do matrimónio, ou simplesmente casados pelo civil) para lhes dizer como devem viver a sua vida afetivo-sexual, social e familiar. Se vêm ter comigo (ou connosco padres), esperam uma orientação, luzes, ajuda em vista ao discernimento. Sucede o mesmo com qualquer médico ou psicólogo. Estes, quando são procurados, poderão desejar recomendar o ideal, mas confrontam-se com o real, isto é, com pessoas concretas. É disto que falamos. Apontar para o ideal e aceitar o real, transformando-o no que é possível e ao alcance. Sendo que, a resposta última que a cada um diz respeito, há-de ser tomada e assumida por cada um(a) como pessoa, ou casal.  Só essas decisões responsabilizam.

Nos últimos dias, em que tanto se tem falado deste tema, tem sido por alguns referido que a Igreja nem sempre tem sabido lidar com o assunto ‘sexo’. Pergunto-me se não é a sociedade como um todo que não sabe lidar com esta importante e essencial dimensão da pessoa humana, a sexualidade! Quem visita Pompeia pode verificar que, antes do sinistro natural, na fronte de muitos dos seus habitantes eram desenhados “órgãos sexuais”. Isso simbolizava que todo o seu pensar e agir era marcado pela perspetiva da genitalidade erótica, superficial e banalizada.

Paralelamente, deparamo-nos, hoje, com sinais de manifesta decadência na área dos comportamentos sexuais. Não é só a Igreja que tem consciência da incrível força que possui a dimensão psíquico sexual como fonte geradora de equilíbrio ou desequilíbrio humano.  A sociedade como tal, tem semelhante consciência desta dimensão. O problema é que tende a absolutizá-la.  O mundo afetivo sexual não é uma coisa no meio de tantas outras.  Aliás, não é uma “coisa”. Muitos setores da sociedade ou não percebem isto, ou não lhes convém perceber! Os efeitos de uma sociedade erotizada e obcecada com a sexualidade (como se não houvesse vida aquém e para além do sexo) não tem nada a ver com a beleza e o potencial de equilíbrio resultante desta força vital da natureza humana. Por isto, a Igreja, porque chamada a contribuir para solucionar problemas, também se deve pronunciar e apontar metas.

Quem diria que no comunicado de D. Manuel Clemente, suficientemente grande e abrangente, fosse microscopicamente procurado o sexo do corpo do texto para servir de pretexto à banalização do contexto!

A dimensão afetivo-sexual é, pela sua natureza, um assunto demasiado importante para ser banalizado. É um assunto incontornável para todos. A Igreja não o ignora, embora talvez nem sempre tenha sabido como lidar com ele. A sociedade em que vivemos, em nome de uma liberdade que verdadeiramente “livre” parece ter pouco, tem dado sinais preocupantes no modo como (des)educa para a sexualidade livre (ou libertina) (des)integrada e (irres)responsável. Esta obsessão na busca do sexo do texto parece estar bem presente em muitos dos jornalistas da nossa praça, os quais, ou andam obcecados ou querem clientes para as notícias a qualquer custo. Por exemplo, um dos semanários do nosso país publicou uma entrevista dada por uma figura pública (Adolfo Mesquita Nunes). Na referida entrevista, foram muitos e interessantes os temas tratados. No entanto, qual foi o tópico apresentado na manchete do jornal? Sexo. Antes, a sua orientação sexual. Obsessivo.  Porquê e para quê? Não foi a Igreja institucional que entrevistou e escolheu a manchete.

A Igreja deverá repensar, como muito bem faz o Papa Francisco, o estilo e linguagem que usa para tratar este tema, tão importante e decisivo na vida das pessoas. No entanto, são muitos os sectores da sociedade contemporânea que, na verdade, não levam a sério este tema, e por isso, não o tem resolvido. É pena. Poderiam ser matérias interessantes para bons debates, reflexão e melhor proveito pessoal e social.

O sexo e a cidade